O Artur tentou montar a minha empregada de limpeza.
E cada vez que vai à rua e vê uma cachorra, tenta saltar-lhe em cima.
Mas o Artur é um animal condicionado. Tem impulsos e não tem escolha sobre eles.
A maioria das pessoas também não. Deixam-se levar pelo impulso, são possuídas por ele e reagem de forma automática, mesmo sabendo que aquilo vai ter consequências. Neste contexto não podemos dizer que a pessoa tem liberdade. É escrava desses impulsos.
Eu diria que liberdade é o resultado da criação desse espaço que está entre o impulso e a ação. É isso que faz com que não sejamos animais condicionados e tenhamos uma palavra a dizer sobre as experiências que queremos viver.
Esse espaço não aparece do nada. Precisa de estabilidade física, emocional e mental. E isso começa numa coisa simples: gastar bem a energia que tens.
Passas o dia sentado, em stress, a lidar com mil coisas. Gastaste-te por dentro, emocional e mentalmente, mas o teu corpo não gastou nada. Ficas esgotado e carregado ao mesmo tempo. Chegas a casa e acontece uma destas três coisas.
Explodes com quem te aparece à frente. O filho, o marido, a mulher, um amigo.
Comes sem fome, à frente da televisão, para descarregar a agitação do dia.
Não consegues desligar a cabeça. A mente continua a trabalhar e não adormeces, justamente porque o corpo não foi usado.
Se fosse cansaço a sério, dormias que nem uma pedra.
Por isso, treinar depois de um dia stressante é o melhor que podes fazer. Não te vai deixar mais cansado. Vai gastar o que ficou por gastar e devolver-te a escolha.
Muitos dos meus clientes procuram-me para mudar o que veem ao espelho. E depois, sem darem por isso, deixam de explodir em casa, dormem melhor, chegam ao fim do dia com espaço para escolher.
Escrevi um livro sobre isto, a olhar pela minha experiência, pelo yoga e pela ciência. Está de borla aqui no site.
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