Parei em 2023, com 120 e poucos quilos.
Essa paragem veio acompanhada de mais duas coisas, cortar calorias e artes marciais, por isso não dá para separar isso do que te vou descrever.
A primeira coisa foi voltar a sentir-me calmo, tranquilo com a vida. Enquanto tomava, a sensação de raiva, de insatisfação, de estar constantemente pronto para o ataque tornou-se tão normal que eu já não sabia o que era viver de outra forma.
A força desceu mais de 50 por cento na maior parte dos exercícios.
Passei a ter mais energia. Antes dormia assim que me sentava. Voltei a respirar normalmente, a dormir normalmente.
A obsessão pelo físico diminuiu drasticamente, embora isso já estivesse a acontecer antes de parar.
Nos primeiros meses, quando ainda estava perto de malta de competição, sentia-me inferior por estar mais pequeno.
É o que acontece quando pões o teu valor numa coisa que tens ou que construíste. Quando essa coisa desaparece, sentes que vales menos.
Se não tivesse cortado tantas calorias e metido tanto cardio, provavelmente não teria perdido tanto peso. Mas manter-me igual, isso nunca ia acontecer.
O que te quero dizer é isto: o que quer que tu conquistes com química vai desaparecer quando parares de tomar. E muito provavelmente não vais querer, ou conseguir, fazer isto para o resto da tua vida. É uma decisão muito pessoal, que deves tomar com consciência e não por impulso, e reconheço que é mais fácil falar do que fazer. Mas pode evitar que passes pelo que passou um rapaz que entrou em contacto comigo recentemente. Fica para o próximo artigo.
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