Há quem tente injetar confiança nas nádegas. Não resulta.
Achar que se sabe pode trazer alguma confiança, mas confiança sem clareza e competência pode ser perigosa.
Um exemplo disso é achar que ter músculo nos torna automaticamente numa pessoa perigosa. Pode dar alguma confiança… até o mundo colapsar à nossa frente.
Eu tive a sorte de me deparar com isso numa aula simples de jiu-jitsu, há alguns anos, com um rapaz com metade do meu peso e provavelmente metade da minha idade.
E houve mais situações que seguiram o mesmo padrão.
Já devia ter uns 21 anos quando li o meu primeiro livro de desenvolvimento pessoal. Um dos exercícios propostos no livro era o de definir objetivos a concretizar no espaço de um ano.
Aquilo empolgou-me tanto que no espaço de 3 meses já os tinha concretizado todos. Parecia magia. Afinal eu só precisava saber bem o que queria e dirigir a minha atenção para isso.
Nos anos seguintes devorei tudo o que havia sobre desenvolvimento pessoal. Diziam todos o mesmo, mas a repetição da informação configurou de tal forma o meu cérebro que me tornou num papagaio.
Tinha crenças muito fortes que por vezes perdiam para a lógica e nesse momento sentia que o meu mundo podia colapsar.
"Eu aprendi que o mundo é assim, estás a dizer que não é? Não sabes do que falas."
Dizia isto com toda a certeza e a realidade é que, quanto mais certezas temos, menos olhamos para o que temos à frente.
Podemos andar uma vida inteira enganados, e esse engano produzir alguns resultados também. Como o relógio que está certo 2 vezes ao dia.
Hoje interesso-me mais pelo que é real, pelas coisas que resultam, e sobretudo já não me agarro a convicções que não são minhas.
Confiança não se procura. Vem atrás da clareza e da competência.
A que convicções te tens agarrado, apesar de não se mostrarem eficazes ou verdadeiras?
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